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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bósnia-Herzegovina: O (único) lado bom da Copa

O lado bom da Copa está aqui: A Bósnia-Herzegovina (Foto)
Hoje venho no Clarim falar de um lado bom da Copa deste ano aqui no Brasil.

Muitos vão me chamar de alucinado, louco, ignorante aos nossos problemas, petista e tudo mais que virá. Mas, como diz o sábio, como vou falar se ninguém me deixar explicar? O que venho falar de bom desta copa que já ruiu nossos cofres e causa sorrisos malditos nos corruptos e ladrões de colarinho branco não está aqui em terras tupiniquins. Nenhum estádio, obra, ação, novidades, preços, não é nada disto que você está pensando.

O lado bom desta copa está nos Bálcãs, mais precisamente em um pequeno país de belezas únicas, povo acolhedor e que por muitos anos foi vitima da ignorância de seus mandatários em busca de limpezas étnicas e barbarismo para atingir seus objetivos. O lado bom da copa de 2014 está na Bósnia-Herzegovina.

Fogo no parlamento em Sarajevo, uma das
tantas imagens marcantes da guerra (Foto)
Um país encravado no meio do que era até 1991 a Iugoslávia dos tempos do Marechal Tito. A Bósnia era só mais um dos tantos setores administrativos que compunham esta nação líder dos ditos não-alinhados e que, dentro de seu território, reunia uma mistura de culturas, religiões e etnias que viviam, estudavam, casavam e compartilhavam juntas. Paz esta que não sobreviveria a partir de 1992, quando Croácia e Iugoslávia, as mais poderosas da região, resolveram dividir seu território.

Quatro anos de sofrimento. Como imaginar que a poucos quilômetros de cidades cosmopolitas da Europa havia um antro de barbarismo e sangue digno de Segunda Guerra? A Copa de 1994, as Olimpíadas em Barcelona, tudo corria tranqüilo no mundo enquanto os muçulmanos e a minoria sérvio-croata se digladiavam em busca de espaço e partilha com gosto de ignorância. A dita limpeza étnica capitaneada pelo general sérvio Ratko Mladic foi a página mais cruel que se podia acreditar acontecer no conflito.

Um pouco de como foi a Guerra Civil Iugoslava (1991-1995)

Alegria incontida. O gol de Ibisevic bota o país pela primeira
vez em um mundial (Foto)
Jamais poderia acreditar o ex-presidente bósnio Alija Izetbegovic no longínquo 1992 (ano que o país entrou em guerra civil) que a Bósnia voltaria a ouvir estouros nas ruas. Mas desta vez o povo, marcado ainda pelo que foi o conflito, vibrava, se abraçava e comemorava junto um feito inédito para seu esporte. A seleção nacional se classificava pela primeira vez a uma copa do mundo, batendo no sufoco a Lituânia por 1 a 0 fora de casa.

Nas ruas de Sarajevo não havia divisões étnicas. Procurar distinguir sérvios, croatas muçulmanos era praticamente impossível. Todos estavam em êxtase depois de anos de batidas na trave e frustrações ao ficar de fora de um mundial. A vinda da Bósnia para a copa de 2014 é um daqueles caprichos do esporte em seu lado mais feliz que faz nações, comunidades e pessoas sorrirem com suas vitórias. Em um país que busca a cada dia apagar de sua memória os horrores de uma guerra civil, a classificação é um bom incentivo para continuar adiante.
Festa nas ruas de Sarajevo: Sem diferenças, apenas gritos. (Foto)

E por que este seria um lado bom? Talvez a Bósnia não vá muito longe na copa e saia na primeira fase.
Talvez ela não será lembrada pelas grandes agencias de imprensa e canais licenciados por ser um mísero time sem tradição em torneios como a copa. Mas para seus habitantes a ida para a competição conseguiu unir um país em torno de uma conquista. Quem sabe que mais vitórias aguardam os bósnios, não só no futebol, mas em todas as áreas possíveis em que se faz necessária a união de um povo.

Se a copa de 2014 para nós, brasileiros, nos envergonha e revolta a cada dia com seus escândalos, roubos, negligências, roubos e indignação, ainda há um lado bom para um povo distante de nós e que pode estar até desconhecendo toda a ruína que passamos em nosso país carente de educação, saúde e segurança, entre outros. Graças ao esporte e seu lado bom, a Bósnia-Herzegovina sorri uma vez mais. E que não fique no esporte apenas as suas conquistas.

Sejam bem-vindos, bósnios. Estou com vocês!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rolezinhos, defendem o que mesmo?

Apenas um de tantos tumultos nos rolezinhos em SP - É lazer mesmo?
Das ruas dos grandes centros para os corredores dos shoppings-center. Dos gritos de fora, corruptos e tantos outros para os refrões fúteis do execrável funk ostentação. De uma juventude em sua grande parte consciente do protesto a ser feito para os garotos mimados e movidos pelo consumismo e os 15 minutos de fama conseguidos em redes sociais.

Tudo o que fora visto em meados de junho pelo país já andava meio perdido, e de repente tudo volta da maneira mais distorcida possível. Os chamados rolezinhos, que por sinal pareciam ser mais uma modinha que em pouco tempo se dissiparia tomou volume como um movimento pseudo-político, onde a extrema-esquerda (Lê-se paranoicos) alegam os motivos mais torpes possíveis para legitimar um movimento que não defende mais nada do que a baderna, a falta de educação e pudor.

Já se falou em discriminação de classes e até da cor da pele, e até o ponto mais fundo que foi alegar a falta de espaços de lazer e a defesa da cultura deste grupo. O dito grupo misturou dentro de si dois movimentos que pareciam distintos, mas que usam dos atributos um do outro para que os fins justifiquem os meios.

Alguns adeptos do rolezinho: Defendem o que mesmo?
De um lado, os jovens adeptos do chamado funk ostentação. Estilo musical que reúne o que de pior pode
existir na música nacional (Exaltação do luxo como forma de escalada social, vulgarização da mulher, entre outros absurdos). Neste caso não há neste parágrafo nenhuma distinção de classes, é algo que atinge a ambas de todas as formas. São garotos e garotas movidos por idéias consumistas trazidas nessas canções e que gastam pequenas fortunas (dos pequenos ordenados ou até do bolso dos próprios pais). Roupas caras, jóias, bonés e outras quinquilharias que fazem parte da busca de seus 15 minutos de fama com suas bizarrices, como subir uma escada rolante que desce, essas coisas.

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto distribui
pães em chamado rolezão: Quando o radicalismo
se mistura com qualquer coisa
Do outro, os movimentos e partidos de extrema-esquerda, paranoicos com qualquer declaração de seus semelhantes no governo e que, ao sinal da primeira agitação social, buscam se engajar com as mais distorcidas denuncias e criticas possíveis. As ditas discriminações de classes e até de pele são algumas das grandes tônitas. Outra diz respeito a falta de áreas de lazer para a juventude, o que não é mentira no todo, afinal, atrações culturais em teatros, parques e outros locais sempre há, cheias de um novo contato com a arte, dança, musica e outras experiências possíveis.

Juntos, assombram até no imaginário usuários de shoppings-center em grandes centros do país. Não era óbvio que muitos destes primeiros movimentos resultaram exatamente no que já foi mencionado anteriormente: Baderna e tumulto, correria, falta de pudor e educação, e isso nem se fala dos pequenos delitos registrados entre seus integrantes. Na defesa do patrimônio dos estabelecimentos seguranças se desdobram, a polícia contrariada pelos pseudo-revolucionários apenas dispersa, e clientes, trabalhadores e famílias ficam acuados nesta briga.

Antes de mais nada é preciso colocar tudo muito mais as claras. O rolezinho defende o que? Cultura não pode ser. Lazer? Só se for na baderna de praticamente todos os seus integrantes. Por que não, então, trocar o consumismo de marcas, as bizarrices e outras tantas coisas mais por algo como limpar pichações? Conservar praças? Algo que atraia com segurança a comunidade em torno de uma atividade saudável? Afinal, se espalhou pelas redes sociais a máxima rolezinho em biblioteca, teatro, e em busca de emprego ninguém faz. E, sem querer falar, é uma frase verdadeira.

Mas, ao ver os rumos de mais um movimento tumultuante, é bem provável que todas estas perguntas jamais sejam respondidas. Comparar isto a um grupo engajado com algo é como realmente dizer que o jovem brasileiro não se preocupa com seu país ou outras atividades saudáveis em qualquer classe. Para eles o que importa no fim de tudo é ”arroizar as novinhas” e “descer até o chão”.
E tenho dito.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Volta as aulas: O Material escolar e as lições de economia

A correria pelo material escolar começa, e a economia? (Foto)
Todos os anos é a mesma correria no comércio. Papelarias, magazines e outras lojas lotadas de pais e filhos atrás do material escolar. Em um lado, o lado bom das pesquisas, da procura pelo melhor preço e qualidade nos produtos. Do outro lado a eterna briga de família pelos cadernos, mochilas e apetrechos cheios de badulaques, numa verdadeira guerra campal com direito a choro e ranger de dentes dos pequenos teimosos.

Nas prateleiras os mais variados personagens da infância recente. De Ben 10 a Polly, de times de futebol aos ídolos do MMA. Sem falar das mochilas personalizadas com brinquedinhos de brinde e que em muitos casos são cinco vezes maiores que as costas das crianças que as usam. As cores chamam a atenção, os pequenos não fogem muitas vezes a tentação e as contas dos pais despreocupados com a economia chegam a níveis astronômicos.

Anos 60/70/80, outros tempos, outra mentalidade (Foto)
Houve um tempo distante que a maior preocupação dos pais era com o uniforme escolar. Bonito e bem conservado, com a educação que o aluno levava de casa para assim melhor lidar com os professores. Os utensílios escolares não tinham lá muita sofisticação.

As vezes uma estampa diferente aqui e ali, e na maioria das vezes o caderno brochura (o pequenininho) era
simplesmente capa dura e monocromático. Livros impecáveis, estojo de metal resistente ou madeira e uma caixa de lápis de cor de 12 cores. Nada mais, rumo a escola.

Tudo era simples, até mais levado a risca do que o que se vê atualmente. Comparar o que era a compra do material escolar há 30, 40 anos atrás com os dias atuais chega até a ser covardia. Infelizmente os pais estão deixando de praticar a lição da economia com os filhos em muitos casos. Escolhem os itens mais caros depois de muita insistência das crianças.

Marcas e personagens, como a Pucca: Tentação dos pequenos (Foto)
As mesmas crianças que, no fim das férias, retornam as salas simplesmente maquiadas pelos objetos tinindo de novos. E os modos, educação, comprometimento e comportamento? Continuam os mesmos do ano anterior e de outros carnavais, simplesmente mascarados por uma mochila, um caderno e qualquer outra coisa que disfarce um novo eu da criança.

Observar este comportamento de muitas famílias atualmente é preocupante. Desde pequena a criança precisa saber que o conhecimento, as lições de matemática, história e tantas outras matérias não vêm dos materiais, mas do que elas mesmas desempenham em sala de aula.

Enfeitar os filhos com utensílios caros e frágeis não é certeza de notas altas muito menos de bons resultados. E o primeiro ensinamento já deve ser dado na loja em si: Como economizar no material pensando na qualidade, no bom preço e na certeza que o aluno faz sua vida escolar.

Que fique esta sendo a lição de cada pai e mãe na hora de iniciar a maratona do material escolar para este ano letivo. Do contrário, o que veremos não serão cabeças pensantes, mas um desfile de bizarrices materiais que do nada levarão a criança ao lugar nenhum.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A lição esquecida do Conde

Os famosos Cigarrinhos de Chocolate da Pan:
Perigo eminente? (Foto)
Incrível realidade do Brasil. Por onde quer que passamos em nossos dias, seja na TV, na rua, na música e nas fofocas, sempre se encontram péssimos exemplos e desaprendizados do que é ser um cidadão verdadeiramente ético, comprometido com seu país e racional. O tal do politicamente correto, vigorante na época menos acéfala de nossa existência, depois de morto praticamente teve um efeito contrário em nossa sociedade. As boas lições e boas coisas feitas são postas a parte, e o vulgar e fútil é a grande moda do momento.

Por que falo isso? Bem, uma das maiores lições de 2013 não veio de nenhuma canção do dito sertanojo, funk ou qualquer outro estilo barato de música em vigor no Brasil. Muito menos do Criança Esperança, do Show da Fé ou de qualquer outra representação pseudo-exemplar de nossos tempos. O grande legado e tapa na cara do ano passado veio justamente da pessoa que muitos não esperavam nada. O conde Francisco Scarpa Filho, ou Chiquinho Scarpa para os mais familiarizados.

 O Conde Chiquinho Scarpa em mais uma de suas badaladas festas
(Foto)
Figura carimbada na chamada high society paulista, polêmico em algumas atitudes e em seus perrengues com suas ex-mulheres, admirado por alguns e odiado por quase muitos. A figura de Chiquinho Scarpa nunca foi de ser familiarizada com a TV (a exceção de alguma aparição nos programas de famosos colunistas sociais, como Ibrahim Sued, Athayde Patreze ou Amaury Jr.), e depois de uma vida de fofocas e declarações provocadoras eis que novamente o Brasil se voltou para o jardim de sua mansão. O fato parecia ser uma pura insanidade: Enterrar o seu caríssimo Bentley Continental Flying Spour no jardim de sua morada.

A assustadora imagem, as mais variadas reações (Foto)
Foram dias de estardalhaço, não faltava comentários exaltados em sites e nas redes sociais, revolta das mais variadas classes sociais. Chiquinho justificava o ato como um costume dos antigos egípcios de enterrar seus tesouros para estar com eles em outra vida. Quem visse nos primeiros dias parecia que realmente o magnata estava determinado a cometer a loucura. O enterro tinha até data marcada: 20 de setembro.

Chegava o dia, e a imprensa dita marrom, atrás de mais uma declaração para preencher suas notícias com algo ao seu ver útil, pela primeira vez deve ter saído do local do fato com uma notícia inútil. O conde chegou a fazer sua cena, chorou, se emocionou e, quando todos esperavam o adeus final tudo parou. A sacada da agência Leo Burnett Brasil foi descoberta,  e que descoberta.

No final, o grande recado, e uma rasteira as más linguas (Foto)
A campanha feita em parceria com o próprio Chiquinho Scarpa ressaltou louvadamente a importância da doação de órgãos justo na semana especial que busca o incentivo deste ato. Usando como mote o fato de muitos enterrarem coisas muito mais valiosas do que um Bentley de mais de um milhão de reais, mas bens tão preciosos que podem salvar inúmeras vidas e dar a elas uma segunda chance.

Passou-se o evento e tudo se dissipou como uma nuvem. As futilidades continuaram a ser publicadas, o Conde continuou sendo a tal figura mencionada acima (apesar de se ter formado acerca dele uma outra visão) e o brasileiro foi atrás de outra coisa inútil para falar mal o comentar inconsequentemente. Analisando tudo por este ponto de vista pode se dizer que nos dias atuais as grandes lições jamais são lembradas por um longo tempo.

Vem ai mais um lixo campeão de audiência (Foto)
Foi uma esperta sacada da agência e de Chiquinho ao utilizar da indolência de milhares de usuários das redes sociais a procura de fofocas para os sensibilizar para uma causa tão nobre. O Brasil, apesar de ser exemplo na doação de órgãos, ainda padece com muitos pacientes na fila dos transplantes. Mas para uma parcela da população o gesto, a campanha e os dias enfurecidos foram só mais um ato rotineiro, nada mais do que isto.

E assim vem ai os novos sucessos inúteis de nossa mídia. Reality shows, programas de auditório esdrúxulos, musicais sem qualidade, fofocas e mais fofocas e o mundo vazio das novelas. Fica a lição para os sãos da mensagem deixada pelo ato do Conde de que há na vida coisas muito mais valiosas para se enterrar. Mas, no caso de muitos brasileiros, a razão e a consciência já foram para a cova há muito tempo.

Obrigado pelo recado, Conde, uma boa noite para você, sua senhora e sua amada cacatua.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Medo, morte e lagosta no Maranhão

Maranhão em pé de guerra. Polícia X Facções, no meio, o povo (Foto)
Quem me vê escrevendo estas linhas pode achar que não tenho que meter o bedelho em outro estado para criticar seus problemas. E tem razão, pois Santa Catarina não é uma terra das mil maravilhas como se prega. Também tem seus defeitos, deficiências incontáveis e fatos vergonhosos. A falta de água em nosso litoral é o melhor exemplo.

No entanto, os últimos dias tem sido um turbilhão de fatos para o complicado estado do Maranhão. A crise na segurança pública, com ataques a sociedade civil por parte de criminosos, superlotação e atrocidades em presídios e a possível intervenção federal, voltam a revelar os antigos problemas em que seus moradores estão colocados. No meio de uma guerra declarada, a população tem sido a grande vitima e não é de hoje que isto vem sendo destaque nos noticiários nacionais.

Um pouco da exuberância dos Lençóis Maranhenses (Foto)
O Maranhão, longe de seus dilemas internos, é um estado de beleza e importância ímpares para o Brasil. Citar os exuberantes Lençóis Maranhenses, o Centro de Lançamento de Alcântara (Um dos mais bem localizados geograficamente no mundo) e da importância histórica de sua capital – São Luis - mostram alguns exemplos desta afirmação. Se isto fosse determinante para salvar-se de suas deficiências certamente não estaria amargando índices de desenvolvimento e indicativos sociais tão preocupantes.

Uma economia concentrada na capital e que cresce lentamente sem melhorar o custo de vida de seus habitantes, segundo pior IDH do país (compatível ao Brasil em 1980), segunda pior expectativa de vida, maior déficit habitacional do Brasil, segundo maior índice de mortalidade infantil, problemas de saneamento e falta de acesso da população a rede de esgoto e o maior número de crianças analfabetas entre oito e nove anos do país, mesmo tendo o português mais bem falado dentre os estados.

Poucos problemas? Experimente somar isto tudo ao turbilhão da insegurança pública dos últimos dias e está montada a formula para o desastre. Que existe solução para quase todas estas deficiências sim, e elas dependem da intervenção de um governo competente que faça se realizar as obras tão necessárias nestes setores da vida maranhense.

Roseana: Poucos motivos a elogiar, muitos a criticar (Foto)
Pois bem, o governo. Este mesmo personagem que é o ponto cancerígeno desta história que poderia ser muito melhor. Roseana Sarney, governadora do estado no quarto mandato (re-eleita em 2010 pela segunda vez no estado), está outra vez em evidência nas páginas de jornal. Por uma benfeitoria e uma atuação firme na crise da segurança? Como de se esperar, não.

A bronca da vez é a sofisticada lista de compras para o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, contendo itens como lagosta, camarão, caviar e outros refinos, licitada pelo governo. Em outras palavras, fazer compra chique com dinheiro público.

Há algo de muito podre nos corredores do Palácio dos Leões (Foto)
Há tempos, o poder dos Sarney, assim como de várias famílias dentro do estado tem sido a praga que vem devorando o Maranhão lentamente e o fazendo chegar ao abismo onde está.

Em situação pior está o estado das Alagoas, com problemas até piores, mas que também podem ser bem solucionados, desde que o governo seja livre das mesmas ervas daninhas coloniais que emperram toda e qualquer solução com seus esquemas sórdidos de corrupção e politicagem. Situações assim trazem a lembrança os feudos da idade média, onde o poder se concentra na mão de poderosos suseranos , e povo, vassalo da situação, trabalha para os sustentar e não para o seu próprio benefício.

Preocupação com a situação do Maranhão? Claro que sim e muita. Vale ressaltar que esta postagem não tem a intenção de ofender os maranhenses, pelo contrário, apenas expõe problemas e tenta apontar seus causadores. O voto ainda é o único antídoto contra o câncer que corrói as estruturas básicas desta tão importante unidade da federação. Cabe ao povo e suas intenções de mudar decidir por si só. Ou segue para uma quimioterapia em outubro ou continua em fase terminal.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Dilemas litorâneos


Acredite, há muitos anos atrás esta era Bal. Camboriú (Foto)
Ah o verão dos anos 60 e 70, talvez dos 80 também. Tempos aqueles que o pronunciar da palavra praia era como sinal de liberdade e férias. Aqueles ponteiros que a tarde insistentemente não passavam para a hora de cair no mar. Crianças brincando na areia a montarem seus castelos como engenheiros civis, moças exibindo corpos comportadamente cobertos porém belos, rapazes batendo bola e fazendo gols nas peladas tendo como vista o oceano aberto e, em muitos balneários, cidades quase desertas até mesmo diminutas a suas costas.

A paz de tempos passados irremediavelmente morreu, e os calmos balneários de outrora hoje são cidades grandes coladas no mar, e no verão a população destes municípios, se somados, não duvido que se aproximem ao número de habitantes da cidade de São Paulo. O litoral vem, de uns tempos para cá, sendo sinal de incomodo para muitos veranistas que procuram o frescor da água do mar e as diversões de outros lugares, e motivos para este descontentamento não faltam.
Bal. Camboriú hoje: Cheia como outras praias no Brasil (Foto)

O maior grilo (que se pode assim dizer) é a falta de água. Tônita de outros verões em várias praias famosasSanta Catarina é um caso pitoresco que merece destaque. O litoral do estado tem sido de muitos anos para cá destino turístico não apenas dos catarinenses que vem de várias regiões, mas de turistas do Brasil inteiro atrás das belezas do mar em minha terra.
do país se torna cada vez mais inadmissível que falte estrutura de abastecimento em muitos balneários.

Mas, o que se multiplica em várias praias catarinenses não são só elogios a beleza do lugar, aumenta significativamente relatos de longos períodos de falta d’água, de luz e a eterna doença crônica da carestia em lojas, padarias, lanchonetes e mercados. Somam-se ainda as tortuosas estradas de pista simples em muitos estados e ainda os problemas de conduta dos turistas, mas são dois tópicos para se abordar em outro momento.

Falta de água: Terror que não é só catarinense (Foto)
Santa Catarina não é exceção entre as exceções nesta onda de lotação e dores de cabeça. Praias em São Paulo, Rio e, com garantia, no Nordeste brasileiro também passam pelas mesmas tormentas e problemas. E o que mais causa estranheza é a negligência de muitos governos perante estas dificuldades. Em Navegantes, calma cidade vizinha a também litorânea Itajaí, a população indignada não escondeu sua revolta e foi as ruas protestar. Se esta é a situação o que pensar de lugares muito mais badalados como Balneário Camboriú e Florianópolis, com suas concorridas praias e casas noturnas, como a Green Valley.

Caso curioso é o comercial para a TV da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), incentivando a economia, sendo que em muitas das praias atendidas pelo seu serviço nem água há para o consumo e o racionamento. A capital catarinense é a que mais assusta, com os hiatos no abastecimento que comprometem quase toda uma cidade que, em sua essência, é a roda motriz do estado e procurada por muitos turistas até de fora do país.
The Beach Boys: A minha melhor lembrança musical de praia (Foto)

Há 16 anos não passo o ano-novo no litoral, faz algum tempo que não passo os tempos de férias próximo calor de Blumenau, ainda estou satisfeito por estar aqui passando o verão. Ir a praia tem se tornado para muitos um terror anual, e dizer que se descansa nestes locais, atualmente, chega a soar como loucura.
do mar e muitos que leem estas linhas podem até me chamar de louco ou até dizer que não conheço a situação destes locais. No entanto, com os jornais e suas denuncias destas situações fica impossível não pensar que, mesmo com o insuportável

Nada contra aos amantes do mar e das praias. Mas ainda prefiro ouvir Beach Boys no conforto de meu lar para lembrar-se de como bom era o litoral nos cálidos e distantes anos 60, 70 e 80. Aos aventureiros que vão as estradas atrás de sol, areia e ondas uma boa viagem, boas férias... E bons nervos.

Alias, é com eles que terminamos o post, olha ai (Kokomo, de 1988):



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ronnie Von: O príncipe rebelde, sua revolução e sua marca

Príncipe e revolucionário: Ronnie Von (Foto)
Olha eu nem sei de onde venho nem pra onde vou. Ninguém me escuta e nem sei quem sou...

Com estas palavras o então príncipe da brotolândia Ronnie Von renunciava seu posto no reino de um tal Roberto Carlos para buscar sua própria estrada. O ano de 1968 recebeu com choque o primeiro dos seus três discos que compõem a chamada fase psicodélica de Ronnie. Marcou assim sua desvinculação de dois movimentos ditos dominantes da música nacional daqueles tempos: A Jovem Guarda e a recém-surgida Tropicália.

Quando A Praça estourou nas paradas em 1967, Ronnie ainda era um jovem de família bem falada que do nada se viu em um palco cantando temas que faziam os brotos suspirarem ao galã que parecia estar nascendo.  No entanto, o caminho a trilhar era bem diferente daquele que parecia lhe estar previsto. Comandante do seu próprio programa na Record intitulado O pequeno mundo de Ronnie Von, começou ele ali a mostrar uma nova proposta musical que meio país ainda se torcia para entender a mensagem.
Ronnie (esq) e seu pequeno mundo. Ao fundo, Os Mutantes (Foto)

O programa era o antônimo do que pregava a Jovem Guarda, lentamente Ronnie deixava claro até mesmo a Polydor, sua gravadora, que não era apenas um rosto bonito. Com a ida de seus protegidos – Os Mutantes – para o lado da Tropicália e as recusas da gravadora em seguir o movimento, era chegada a hora de começar a mostrar quem ele realmente era. Seu primeiro LP da nova fase saia em um momento tenso e oportuno. Muito além da troca de presidência na Polydor brasileira, o Brasil iniciava o período mais negro e repressivo da Ditadura Militar com o AI-5.

1968: O primeiro disco psicodélico de Ronnie Von (Foto)
O disco de 1968 seria precedido de outras duas grandes obras que hoje são disputadas a tapa no mercado de raridades musicais em todo o mundo: A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais (1969) e Maquina Voadora (1970). Fracassos comerciais? Pode parecer incrível, mas foram. Em um país onde o que é comum e simples é mais interpretável e ouvido por grande parte do mercado, receber uma nova forma de som foi um susto e uma repulsa que fizeram ambos os três discos serem simplesmente esquecidos pelo do público.

Ao voltar para 2014 e descobrir a obra quase perdida de Ronnie Von, chega a se ter uma reação de surpresa pela qualidade, pela ousadia na busca por recursos e letras diversificadas e pela proposta que, garanto a muitos, surpreende para alguém que qualquer um poderia pensar que fosse mais um filho da Jovem Guarda.

Os Mutantes: Tudo começou no programa de Ronnie (Foto)
O trabalho na psicodelía do príncipe virou em 2013 um excepcional documentário, e junto com ele a marca histórica da volta do cantor aos estúdios após 17 anos, e também pela primeira vez centrando seu repertório entre os três famosos discos.

Marco de uma tentativa de revolução musical no Brasil? A intentona de Ronnie Von foi sem dúvida geração atual de cantores, cantoras e bandas que mascaram sua falta de criatividade em releituras e letras estritamente comerciais para agradar uma platéia em sua maioria acéfala e sem discernimento musical do bom e do ruim, salvando-se, claro, as raríssimas exceções de ambos os lados.
lembrada muito tardiamente. No entanto, a sorte que fica é a que o criador ainda anda muito bem vivo em nossa música a tempo de ser idolatrado pelo que fez. O seu experimentalismo é uma lição a uma

Prestes a completar seus 70 anos de idade, bem casado e metrossexual assumido, Ronnie Von tem marca importante na história musical do país. Não como integrante de uma legião de músicos de mercado fonográfico, mas como alguém que ousou mudar. Nas palavras de Rita Lee, eterna amiga desde os tempos de TV, uma frase basta: Ele foi tão importante quanto Roberto Carlos, porque ele apresentou outra coisa, ele permitiu ser o que a gente é.