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domingo, 5 de janeiro de 2014

Dilemas litorâneos


Acredite, há muitos anos atrás esta era Bal. Camboriú (Foto)
Ah o verão dos anos 60 e 70, talvez dos 80 também. Tempos aqueles que o pronunciar da palavra praia era como sinal de liberdade e férias. Aqueles ponteiros que a tarde insistentemente não passavam para a hora de cair no mar. Crianças brincando na areia a montarem seus castelos como engenheiros civis, moças exibindo corpos comportadamente cobertos porém belos, rapazes batendo bola e fazendo gols nas peladas tendo como vista o oceano aberto e, em muitos balneários, cidades quase desertas até mesmo diminutas a suas costas.

A paz de tempos passados irremediavelmente morreu, e os calmos balneários de outrora hoje são cidades grandes coladas no mar, e no verão a população destes municípios, se somados, não duvido que se aproximem ao número de habitantes da cidade de São Paulo. O litoral vem, de uns tempos para cá, sendo sinal de incomodo para muitos veranistas que procuram o frescor da água do mar e as diversões de outros lugares, e motivos para este descontentamento não faltam.
Bal. Camboriú hoje: Cheia como outras praias no Brasil (Foto)

O maior grilo (que se pode assim dizer) é a falta de água. Tônita de outros verões em várias praias famosasSanta Catarina é um caso pitoresco que merece destaque. O litoral do estado tem sido de muitos anos para cá destino turístico não apenas dos catarinenses que vem de várias regiões, mas de turistas do Brasil inteiro atrás das belezas do mar em minha terra.
do país se torna cada vez mais inadmissível que falte estrutura de abastecimento em muitos balneários.

Mas, o que se multiplica em várias praias catarinenses não são só elogios a beleza do lugar, aumenta significativamente relatos de longos períodos de falta d’água, de luz e a eterna doença crônica da carestia em lojas, padarias, lanchonetes e mercados. Somam-se ainda as tortuosas estradas de pista simples em muitos estados e ainda os problemas de conduta dos turistas, mas são dois tópicos para se abordar em outro momento.

Falta de água: Terror que não é só catarinense (Foto)
Santa Catarina não é exceção entre as exceções nesta onda de lotação e dores de cabeça. Praias em São Paulo, Rio e, com garantia, no Nordeste brasileiro também passam pelas mesmas tormentas e problemas. E o que mais causa estranheza é a negligência de muitos governos perante estas dificuldades. Em Navegantes, calma cidade vizinha a também litorânea Itajaí, a população indignada não escondeu sua revolta e foi as ruas protestar. Se esta é a situação o que pensar de lugares muito mais badalados como Balneário Camboriú e Florianópolis, com suas concorridas praias e casas noturnas, como a Green Valley.

Caso curioso é o comercial para a TV da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), incentivando a economia, sendo que em muitas das praias atendidas pelo seu serviço nem água há para o consumo e o racionamento. A capital catarinense é a que mais assusta, com os hiatos no abastecimento que comprometem quase toda uma cidade que, em sua essência, é a roda motriz do estado e procurada por muitos turistas até de fora do país.
The Beach Boys: A minha melhor lembrança musical de praia (Foto)

Há 16 anos não passo o ano-novo no litoral, faz algum tempo que não passo os tempos de férias próximo calor de Blumenau, ainda estou satisfeito por estar aqui passando o verão. Ir a praia tem se tornado para muitos um terror anual, e dizer que se descansa nestes locais, atualmente, chega a soar como loucura.
do mar e muitos que leem estas linhas podem até me chamar de louco ou até dizer que não conheço a situação destes locais. No entanto, com os jornais e suas denuncias destas situações fica impossível não pensar que, mesmo com o insuportável

Nada contra aos amantes do mar e das praias. Mas ainda prefiro ouvir Beach Boys no conforto de meu lar para lembrar-se de como bom era o litoral nos cálidos e distantes anos 60, 70 e 80. Aos aventureiros que vão as estradas atrás de sol, areia e ondas uma boa viagem, boas férias... E bons nervos.

Alias, é com eles que terminamos o post, olha ai (Kokomo, de 1988):



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