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Os famosos Cigarrinhos de Chocolate da Pan:
Perigo eminente? (Foto) |
Incrível realidade do
Brasil. Por onde quer que passamos em nossos dias, seja na TV, na rua, na música e nas fofocas, sempre se encontram péssimos exemplos e desaprendizados do que é ser um cidadão verdadeiramente ético, comprometido com seu país e racional. O tal do
politicamente correto, vigorante na época menos acéfala de nossa existência, depois de morto praticamente teve um efeito contrário em nossa sociedade. As boas lições e boas coisas feitas são postas a parte, e o vulgar e fútil é a grande moda do momento.
Por que falo isso? Bem, uma das maiores lições de
2013 não veio de nenhuma canção do dito
sertanojo, funk ou qualquer outro estilo barato de música em vigor no Brasil. Muito menos do
Criança Esperança, do
Show da Fé ou de qualquer outra representação
pseudo-exemplar de nossos tempos. O grande legado e tapa na cara do ano passado veio justamente da pessoa que muitos não esperavam nada. O
conde Francisco Scarpa Filho, ou
Chiquinho Scarpa para os mais familiarizados.
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O Conde Chiquinho Scarpa em mais uma de suas badaladas festas
(Foto) |
Figura carimbada na chamada
high society paulista, polêmico em algumas atitudes e em seus perrengues com suas ex-mulheres, admirado por alguns e odiado por quase muitos. A figura de Chiquinho Scarpa nunca foi de ser familiarizada com a TV (a exceção de alguma aparição nos programas de famosos colunistas sociais, como
Ibrahim Sued,
Athayde Patreze ou
Amaury Jr.), e depois de uma vida de
fofocas e declarações provocadoras eis que novamente o Brasil se voltou para o jardim de sua
mansão. O fato parecia ser uma pura insanidade:
Enterrar o seu caríssimo
Bentley Continental Flying Spour no jardim de sua morada.
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| A assustadora imagem, as mais variadas reações (Foto) |
Foram dias de estardalhaço, não faltava
comentários exaltados em sites e nas redes sociais, revolta das mais variadas classes sociais. Chiquinho justificava o ato como um
costume dos antigos egípcios de enterrar seus tesouros para estar com eles em outra vida. Quem visse nos primeiros dias parecia que realmente o magnata estava
determinado a cometer a loucura. O enterro tinha até data marcada: 20 de setembro.
Chegava o dia, e a imprensa dita
marrom, atrás de mais uma declaração para preencher suas notícias com algo ao seu ver útil, pela primeira vez deve ter saído do local do fato com uma notícia inútil. O conde chegou a fazer sua cena, chorou, se emocionou e, quando todos esperavam o adeus final tudo parou. A sacada da agência
Leo Burnett Brasil foi descoberta,
e que descoberta.
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| No final, o grande recado, e uma rasteira as más linguas (Foto) |
A campanha feita em parceria com o próprio Chiquinho Scarpa ressaltou louvadamente a
importância da doação de órgãos justo na
semana especial que busca o incentivo deste ato. Usando como mote o fato de muitos enterrarem coisas muito mais valiosas do que um
Bentley de mais de um milhão de reais, mas bens tão preciosos que podem salvar inúmeras vidas e dar a elas uma segunda chance.
Passou-se o evento e tudo se dissipou como uma nuvem. As
futilidades continuaram a ser publicadas, o Conde continuou sendo a tal figura mencionada acima (apesar de se ter formado acerca dele uma outra visão) e o brasileiro foi atrás de outra coisa inútil para falar mal o comentar inconsequentemente. Analisando tudo por este ponto de vista pode se dizer que nos dias atuais as grandes lições jamais são lembradas por um longo tempo.
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| Vem ai mais um lixo campeão de audiência (Foto) |
Foi uma esperta sacada da agência e de Chiquinho ao utilizar da indolência de milhares de usuários das redes sociais a procura de fofocas para os sensibilizar para uma causa tão nobre. O Brasil, apesar de ser exemplo na doação de órgãos,
ainda padece com muitos pacientes na fila dos transplantes. Mas para uma parcela da população o gesto, a campanha e os dias enfurecidos foram só mais um ato rotineiro, nada mais do que isto.
E assim vem ai os novos
sucessos inúteis de nossa mídia. Reality shows, programas de auditório esdrúxulos, musicais sem qualidade, fofocas e mais fofocas e o mundo vazio das novelas. Fica a lição para os sãos da mensagem deixada pelo ato do Conde de que há na vida coisas muito mais valiosas para se enterrar. Mas, no caso de muitos brasileiros, a razão e a consciência já foram para a cova há muito tempo.
Obrigado pelo recado, Conde, uma boa noite para você, sua senhora e sua amada cacatua.
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