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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Medo, morte e lagosta no Maranhão

Maranhão em pé de guerra. Polícia X Facções, no meio, o povo (Foto)
Quem me vê escrevendo estas linhas pode achar que não tenho que meter o bedelho em outro estado para criticar seus problemas. E tem razão, pois Santa Catarina não é uma terra das mil maravilhas como se prega. Também tem seus defeitos, deficiências incontáveis e fatos vergonhosos. A falta de água em nosso litoral é o melhor exemplo.

No entanto, os últimos dias tem sido um turbilhão de fatos para o complicado estado do Maranhão. A crise na segurança pública, com ataques a sociedade civil por parte de criminosos, superlotação e atrocidades em presídios e a possível intervenção federal, voltam a revelar os antigos problemas em que seus moradores estão colocados. No meio de uma guerra declarada, a população tem sido a grande vitima e não é de hoje que isto vem sendo destaque nos noticiários nacionais.

Um pouco da exuberância dos Lençóis Maranhenses (Foto)
O Maranhão, longe de seus dilemas internos, é um estado de beleza e importância ímpares para o Brasil. Citar os exuberantes Lençóis Maranhenses, o Centro de Lançamento de Alcântara (Um dos mais bem localizados geograficamente no mundo) e da importância histórica de sua capital – São Luis - mostram alguns exemplos desta afirmação. Se isto fosse determinante para salvar-se de suas deficiências certamente não estaria amargando índices de desenvolvimento e indicativos sociais tão preocupantes.

Uma economia concentrada na capital e que cresce lentamente sem melhorar o custo de vida de seus habitantes, segundo pior IDH do país (compatível ao Brasil em 1980), segunda pior expectativa de vida, maior déficit habitacional do Brasil, segundo maior índice de mortalidade infantil, problemas de saneamento e falta de acesso da população a rede de esgoto e o maior número de crianças analfabetas entre oito e nove anos do país, mesmo tendo o português mais bem falado dentre os estados.

Poucos problemas? Experimente somar isto tudo ao turbilhão da insegurança pública dos últimos dias e está montada a formula para o desastre. Que existe solução para quase todas estas deficiências sim, e elas dependem da intervenção de um governo competente que faça se realizar as obras tão necessárias nestes setores da vida maranhense.

Roseana: Poucos motivos a elogiar, muitos a criticar (Foto)
Pois bem, o governo. Este mesmo personagem que é o ponto cancerígeno desta história que poderia ser muito melhor. Roseana Sarney, governadora do estado no quarto mandato (re-eleita em 2010 pela segunda vez no estado), está outra vez em evidência nas páginas de jornal. Por uma benfeitoria e uma atuação firme na crise da segurança? Como de se esperar, não.

A bronca da vez é a sofisticada lista de compras para o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, contendo itens como lagosta, camarão, caviar e outros refinos, licitada pelo governo. Em outras palavras, fazer compra chique com dinheiro público.

Há algo de muito podre nos corredores do Palácio dos Leões (Foto)
Há tempos, o poder dos Sarney, assim como de várias famílias dentro do estado tem sido a praga que vem devorando o Maranhão lentamente e o fazendo chegar ao abismo onde está.

Em situação pior está o estado das Alagoas, com problemas até piores, mas que também podem ser bem solucionados, desde que o governo seja livre das mesmas ervas daninhas coloniais que emperram toda e qualquer solução com seus esquemas sórdidos de corrupção e politicagem. Situações assim trazem a lembrança os feudos da idade média, onde o poder se concentra na mão de poderosos suseranos , e povo, vassalo da situação, trabalha para os sustentar e não para o seu próprio benefício.

Preocupação com a situação do Maranhão? Claro que sim e muita. Vale ressaltar que esta postagem não tem a intenção de ofender os maranhenses, pelo contrário, apenas expõe problemas e tenta apontar seus causadores. O voto ainda é o único antídoto contra o câncer que corrói as estruturas básicas desta tão importante unidade da federação. Cabe ao povo e suas intenções de mudar decidir por si só. Ou segue para uma quimioterapia em outubro ou continua em fase terminal.

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